Tag Archives: MoMA

A student of America

CHECK A PIECE ABOUT THE PHOTOGRAPHER GARRY WINOGRAND

 

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Hollywood directors go to war

CHECH A PIECE ABOUT FIVE CAME BACK, A STORY OF HOLLYWOOD AND THE SECOND WORLD WAR

 

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O resgate da desprezada

Leia reportagem sobre o aniversário de 80 anos de Yoko Ono

Check a piece about the 80th birthday of Yoko Ono

 

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A moda neoconcreta

Leia texto sobre exposição de neoconcretos em Nova York

Publicado na Brasileiros

 

Bicho, de Lygia Clark - Courtesy of World of Lygia Clark Cultural Association, Rio de Janeiro

 

O período oficial do neoconcretismo foi de 1959 a 1961. Realizada pela Dickinson, galeria de Nova York, Playing With Form: Neoconcrete Art From Brazil reúne 45 trabalhos de neoconcretos, concretistas e artistas afins, como Raymundo Colares e Mira Schendel. Segundo o curador Olivier Berggruen, a seleção de obras criadas entre os anos 1950 e 1980 reflete uma escolha pessoal. “O meu trabalho não é científico”, diz.

Existe, porém, uma explicação adicional para as particularidades dessa exposição em cartaz até 21 de dezembro. Os neoconcretos estão na moda. Curadores sofrem para agrupar as suas obras. A disputa se acirrou com o anúncio recente da retrospectiva de Lygia Clark no MoMA, em 2014. No último dia 5, a Gagosian de Paris encerrou BRAZIL: Reinvention of the Modern. Participaram Sergio Camargo, Amilcar de Castro, Lygia Clark, Lygia Pape, Hélio Oiticica e Mira Schendel. Os quatro últimos figuram em Playing With Form, ao lado de Willys de Castro, Geraldo de Barros, Ivan Serpa, Aluisio Carvão, Paulo Pires, Maria Leontina, Judith Lauand e Almir Mavignier.

Entre maio e outubro passados, o Museu Reina Sofía abrigou uma retrospectiva de Lygia Pape, a primeira fora do Brasil. Após passar pela Serpentine Gallery, em Londres, onde estreia em 7 de dezembro, a exposição chega à Pinacoteca em março de 2012. O museu espanhol repetiu o crítico Mário Pedrosa, ao afirmar que Pape integrou o movimento fundador da “arte contemporânea brasileira.” Em resenha para a Artforum, Briony Fer considerou a retrospectiva “um momento importante na recepção global da arte brasileira.”

Quando montou Playing With Form, Berggruen tentou trazer mais trabalhos de Hélio Oiticica, mas o incêndio no acervo do artista há mais de 2 anos diminuiu a quantidade de obras em circulação. Calcula-se que foi destruída 30% da sua produção. Selecionados em 2007 para uma retrospectiva da Tate Modern de Londres, Parangolés e Bólides foram consumidos pelo fogo.

Ao misturar criações concretistas e neoconcretas, Berggruen deseja mostrar as diferenças entre ambas. “Os neoconcretos rejeitaram a separação tradicional dos concretistas entre sujeito e objeto, trabalho e criação, vida e arte.” Musa dos neoconcretos, Lygia Clark sobressai com o maior número de trabalhos, entre eles Bichos, as suas esculturas dobráveis. “Com Bichos, a obra de arte pertence a uma realidade mais participativa e sensorial.”

Publicado pelo Jornal do Brasil em 1959, o Manifesto Neoconcreto marcou o rompimento oficial com os concretistas de São Paulo, representados pelo Grupo Ruptura. Escrito por Ferreira Gullar, o texto repudiou a objetividade estrita e o racionalismo geométrico. “Gullar defendia a intuição e não o cálculo”, lembra Berggruen.

Organizado em torno de Waldemar Cordeiro e Haroldo de Campos, o Grupo Ruptura fora fundado em 1952. Em seguida, formou-se no Rio o Grupo Frente, encampado por Ivan Serpa, Mário Pedrosa e Gullar. Quatro anos depois, estavam assombrados com a obediência cega dos paulistas ao dogmatismo de Max Bill.

O escultor suíço era conhecido dos brasileiros desde a exposição das suas obras no Museu de Arte de São Paulo (MASP), em 1950. Bill adotara a definição de concretismo elaborada por Theo van Doesburg, para quem a subjetividade devia desaparecer.

Em 1948, o MAM do Rio exibiu as obras do escultor americano Alexander Calder. Autor do ensaio do catálogo de Playing With Form, Yve-Alain Bois afirma que pode espantar a preferência por Bill e seu racionalismo, e não por Calder e seus móbiles de comportamento mais espontâneo. “Pensar em Calder como a opção óbvia revela um clichê em relação ao Brasil”, escreve. Bois se refere à suposta incapacidade dos brasileiros de seguir regras.

O planejamento era bem visto no Brasil dos anos 1950. Uma arte racional combinava com o estado de espírito nacional. Mas ela foi logo contestada. “A geometria e a abstração vindas da Europa ficaram mais divertidas e envolventes”, diz Berggruen. “Os neoconcretos criaram uma arte nova, brasileira.”

Conexão com as linguagens do passado

Bob Dylan se apresentou no Brasil pela última vez em 2008. Quem imagina que ele veio ao País apenas para tocar músicas está enganado. Ele terminava naquele ano a fase de pesquisas de um projeto iniciado em duas viagens anteriores para o Brasil, ocorridas em 1991 e 1998. As paisagens e o povo brasileiros inspiraram cerca de 50 pinturas de Dylan. Quarenta desses quadros foram selecionados para satisfazer um pedido da direção do Statens Museum for Kunst, em Copenhague, na Dinamarca. A instituição dinamarquesa se interessou pela obra pictórica do compositor norte-americano após conhecer The Drawn Blank Series, conjunto de aquarelas que, exibidas em 2007, marcam a estreia do compositor como artista plástico. Dylan aceitou o convite, mas se propôs a criar algo novo, a que deu o nome de The Brazil Series.

A exibição em Copenhague ficou em cartaz até abril passado. Quem não visitou o país nórdico para conhecer os quadros de Dylan pode vê-los no catálogo Bob Dylan: The Brazil Series (Prestel, 192 págs., US$ 49,95). O livro revela com detalhes uma paixão bem escondida, além da influência da pintura na evolução de Bob Dylan, o músico.

A relação com as artes plásticas começou na primeira metade dos anos 60, quando o compositor de Minnesota chegou a Nova York. Dylan conheceu os museus da Big Apple, desenvolvendo especial afeição pelo Metropolitan Museum of Art (Met) e pelo Museum of Modern Art (MoMA). O interesse se tornou mais sério em 1968, ao ganhar de Sara, então sua mulher, uma caixa de tintas a óleo – era o presente de aniversário de 27 anos. Suas pinturas chegaram à capa de três discos: Music From Big Pink (1968), da banda The Band; Self Portrait (1970); e Planet Waves (1973), ambos de Dylan.

Em 1974, Dylan tomou lições com o pintor norte-americano Norman Raeben (1901-1978). Segundo o compositor, Raeben colocou “a sua mão e a sua mente em consonância”, permitindo a ele manifestar de modo consciente os sentimentos inconscientes. O músico declarou em 1978 a intensa dificuldade de exercer essa consciência enquanto compunha. Um dos ensinamentos de Raeben foi exibir um vaso durante 30 segundos, retirá-lo da vista para em seguida pedir a Dylan que o pintasse. “Não lembrava patavinas do objeto – eu havia olhado para ele sem vê-lo”, disse sobre a experiência. Blood on the Tracks (1974) é o primeiro álbum concebido como uma “prática artística consciente”. O compositor comparou Tangle Up In Blue, uma das faixas do disco, a O Massacre dos Inocentes, quadro de Peter Paul Rubens.

Segundo John Elderfield, curador emérito do MoMA e autor do ensaio de The Brazil Series, Raebel aplicou um método de ensino neossimbolista empregado por Henri Matisse. O artista francês costumava incentivar os alunos a fechar os olhos, fixar a visão de um objeto na memória e usar a sensibilidade para representá-lo. A diferença é que Raebel nunca respeitou a fantasia. Ele acreditava na imaginação. Foi assim que Dylan, o músico, aprendeu a separar realidade, sonhos pessoais e imaginação artística. O compositor definiu essa descoberta da seguinte maneira: “Estar atento. Criar sem sofisticar. Ser imune a distrações. Realidade.” Ele percebeu que gostaria de recriar o mundo real sem afetá-lo por desejos inconscientes nem medos particulares.

Bob Dylan recusa, no entanto, estabelecer relações entre as suas músicas e os seus quadros. “O estado de espírito afeta uma composição, mas não altera a pintura”, ele diz. “Se pudesse ter expressado numa composição o mesmo que manifestei pintando, eu teria composto.” No ensaio – aprovado pelo músico e intitulado Across the Borderline -, Elderfield mostra o contrário. Afirma que as descrições das músicas de Dylan se acumulam para reforçar a narração de histórias. “Ele não diz como é o personagem ou o lugar, ele apenas nos estimula a imaginá-los”, escreve Elderfield.

O mesmo procedimento vale para as 40 pinturas de The Brazil Series. O elemento narrativo é acentuado nos quadros de tinta acrílica que mostram um conjunto ecumênico de pessoas, lugares e objetos. Dylan parece um antropólogo atento à diversidade brasileira, segundo Elderfield. Executadas entre o fim de 2008 e o começo de 2010, as pinturas da série têm como base desenhos de Dylan em guardanapos e cadernos.

“Não quero fazer nenhum comentário social nem reforçar o ponto de vista de ninguém”, afirma Dylan sobre The Brazil Series. Sua intenção é congelar impressões passageiras sobre lugares e pessoas. Ele se surpreendeu com as habitações precárias dos morros cariocas em Favela Villa Candido e Favella Villa Broncos. Comentou a violência em The Incident, mostrando um homem baleado no chão. Questionou as relações de poder em Politician, em que um político fanfarrão aparece ao lado de uma dançarina sem sutiã e com um tamborim na mão. Em The Argument exibiu uma mulher que se insinua corajosamente num vestido curto. “As mulheres são figuras poderosas, por isso as apresento dessa maneira”, ele explicou em entrevista de 2009.

Inseridas numa tradição figurativa, as pinturas de The Brazil Series não criam conexões com as linguagens contemporâneas. Antes resgatam os mestres admirados por Dylan, como Caravaggio, Jacques-Louis David e Matisse. Ao pintar as coisas do Brasil, Bob Dylan cumpre a tarefa perpétua da poesia segundo T.S. Eliot – renovar as coisas passadas sem a necessidade de inventar novas.