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Magnum’s photos and the tension between art and journalism

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Galeria de arte subterrânea em Nova York

Leia reportagem sobre galeria de arte em estação de metrô do Brooklyn. Publicada pelo jornal Folha de S. Paulo em 15 de abril de 2012

Check a story about an art gallery in a subway station in Brooklyn. Published by Folha de S. Paulo newspaper on April 15th 2012

 

 

Em nome de uma “arte pura”, Pac arriscou a própria vida e a de 103 artistas. Grafiteiro norte-americano, ele idealizou The Underbelly Project, uma galeria de arte subterrânea em Nova York. Criada entre 2009 e 2010 em uma estação de metrô desativada do Brooklyn, ela nunca esteve aberta para o público.

Veja galeria de fotos do The Underbelly Project

Guiados por Pac, os artistas desceram ao “umbigo da cidade” para partilhar um objetivo. “Ali os nossos esforços se tornavam iguais, apesar do nosso pedigree diferente no mercado”, segundo Pac.

“O projeto tem uma irresponsabilidade associada com o elemento efêmero da arte de rua original, hoje em dia não mais encontrado em galerias e museus”, afirma.

Agora Pac revela em detalhes a transgressão secreta com o lançamento de “We Own the Night – The Art of the Underbelly Project” (Rizzoli, 240 págs., US$ 30, cerca de R$ 54, na Amazon.com).

“Temos a esperança de que o leitor possa imaginar melhor a criação de um projeto que enriquece a experiência cultural de Nova York.”

Embora românticas, as visitas à estação são ilegais. Com a segurança reforçada para evitar ataques terroristas, a atividade subterrânea prolongada poderia ter causado sérios problemas.

Para os participantes, porém, essa rebeldia simbolizou um retorno à idade dourada do grafite nova-iorquino, entre os anos 1970 e 1980, quando túneis e carros do metrô viraram vitrines para adolescentes com latas de spray.

Abandonado há 80 anos, o espaço acumula mais de cinco centímetros de sujeira. É pontilhado por buracos que se transformam em armadilhas sob a escuridão. Tem paredes marcadas pelo esgoto que escorre ininterrupto.

“We Own the Night” reúne cerca de 200 imagens das obras de artistas de diferentes países. Claudio Ethos representa o Brasil. “As regras para participar eram simples: ‘Sigam as nossas instruções e fiquem calados'”, conta.

Pac calcula ter passado pelo menos 350 horas no subsolo. Os artistas demoraram de duas a 11 horas para completar os trabalhos, na maioria feitos nas paredes. Alguns desceram mais de uma vez.

Todos receberam treinamento para reagir em caso de emergência. “Houve vários acidentes, mas nenhum grave. As lesões eram iguais às de quem anda por um espaço mergulhado em trevas.”

A segunda etapa do projeto foi concluída há dois meses, em Paris. Enquanto procura uma nova galeria, Pac faz visitas periódicas à estação do Brooklyn, apesar de a polícia ter prendido dois invasores recentemente. “Volto porque sinto saudade.”

Woody Allen não se leva a sério

Leia texto sobre Woody Allen: A Documentary, filme de Robert Weide. Publicado pelo caderno Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 29 de janeiro de 2012

Check the piece about Woody Allen: a Documentary, a Robert Weide’s movie. Published by Folha de S. Paulo on January 29th 2012

 

 

Woody Allen fala sobre sua vida e processo de criação em filme

FRANCISCO QUINTEIRO PIRES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE NOVA YORK

Como Woody Allen não acredita no próprio sucesso, a vida do documentarista Robert Weide se tornou mais difícil. Por quase três décadas, Weide esperou um sim do diretor nova-iorquino para os seus pedidos de entrevista.

Veja galeria de fotos de Woody Allen

“Allen sempre dava uma resposta educada e negativa”, diz ele. “Segundo o seu argumento, ninguém se interessaria em ver e exibir um filme sobre ele, ‘um tema que não vale a pena’.”

As filmagens de “Woody Allen, A Documentary” começaram em outubro de 2008, depois de Weide enviar uma carta para explicar por que “era a pessoa certa para aquela empreitada”.

Para ter sua autorização, o diretor conta que ajudou o fato de terem os mesmos heróis culturais. Weide se refere ao comediante W.C. Fields e aos irmãos Marx, temas de dois filmes produzidos por ele.

Exibido pelo canal público PBS em novembro de 2010 –à venda em DVD na Amazon, no próximo mês–, o documentário de 192 minutos está dividido em duas partes.

O primeiro segmento aborda a infância de Allen em Midwood, região do Brooklyn habitada por judeus, e termina com o lançamento de “Memórias” (1980), uma crítica ao preço da fama.

A segunda parte comenta a separação escandalosa entre Allen e a atriz Mia Farrow, em 1992, motivada pela relação dele com Soon-Yi Previn, filha adotiva da atriz.

O diretor se casou com Soon-Yi, até hoje a sua mulher. Farrow e a filha adotiva não figuram entre os mais de 40 entrevistados por Weide.

PRODUTIVIDADE

Apesar de ter se tornado fã de Woody Allen na infância, após ver “Um Assaltante Bem Trapalhão” (1969), Weide, 52, não havia notado como o cineasta, diretor de 42 longas-metragens, é produtivo.

“Ele lançou um filme por ano durante quatro décadas. Quando não escreve ou dirige, ele está editando.”

Indicado ao Oscar de documentário por “Lenny Bruce: Swear to Tell The Truth” (1998), Weide afirma sentir vergonha por ter demorado mais de um ano e meio para concluir “Woody Allen”.

“No mesmo período, ele estaria no fim do segundo filme”, diz o diretor. “Allen acredita na quantidade. Dirigindo um longa-metragem após o outro, talvez ele possa apresentar o que chama de ‘uma obra razoável’, quem sabe, ‘até boa’.”

Weide teve acesso às filmagens de “Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos” (2010), em Londres, e acompanhou o diretor durante a première de “Meia-Noite em Paris” (2011) –indicado ao Oscar deste ano nas categorias melhor filme e melhor roteiro, e maior sucesso de bilheteria de Allen.

Também na disputa pelo Oscar de melhor diretor, Allen, 76, continua mergulhado em sua rotina ininterrupta. Ele está finalizando “Nero Fiddled”, comédia filmada em Roma. O lançamento será no segundo semestre.

“Embora não seja tratado assim, Allen é um diretor independente”, fala Weide. Ninguém lê os roteiros criados na máquina de escrever que ele comprou aos 16 anos. “Ele só agrada a si mesmo.”

Em conversa informal, Allen revelou ao documentarista que “o segredo é manter o orçamento baixo”.

Segundo Weide, nem Alexander Payne nem Martin Scorsese, também indicados ao Oscar, têm a mesma autonomia. “Eles precisam obter dos produtores a aprovação do roteiro.” Ao fazer filmes econômicos, Allen conquistou a alforria cinematográfica.

O trabalho polêmico de Diane Arbus

Leia reportagem sobre as fotografias de Diane Arbus (1923-1971) publicada na edição 673 da revista Carta Capital

Check a piece about the photographs of Diane Arbus (1923-1971) published by Carta Capital magazine