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The editor who discovered Fitzgerald and Hemingway

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Letters of a beloved American poet

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Tao Lin talks about his work

CHECK A PIECE ABOUT TAO LIN, A WRITER BASED IN NEW YORK

14/10/2013 – 12h00

Escritor Tao Lin ganha status de porta-voz da geração digital com nova obra

FRANCISCO QUINTEIRO PIRES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE NOVA YORK

Tao Lin comporta-se como um iconoclasta desde a sua estreia em 2006 com o livro de poesia “you are a little bit happier than i am”. Lin ganhou intensa publicidade quatro anos depois, ao satirizar uma capa da revista Time sobre Jonathan Franzen, classificado de “grande romancista americano”. Ele escreveu um perfil de si mesmo para o semanário The Stranger, em que ressaltou a ideia de que nenhum escritor merece reverência.

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Recentemente, Lin publicou “Taipei”, seu sétimo livro e o primeiro por uma editora que não é independente. Lançado pela Vintage, do grupo editorial Random House – o maior do mundo –, o romance foi debatido em publicações voltadas para leitores diversos, do Financial Times à Vice.

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“Taipei”, sua obra mais autobiográfica, narra a trajetória de Paul dos 26 aos 28 anos, um indivíduo solitário que mora em Williamsburg, região do Brooklyn considerada a meca dos hipsters. O protagonista passa horas a fio diante da tela de um MacBook, enquanto faz visitas obsessivas ao Twitter, Tumblr, Facebook, Gmail.

Os críticos elegeram Lin a voz dos jovens de 20 e poucos anos crescidos com as mídias sociais. “Taipei” transformou o seu autor “no prosador mais interessante da sua geração”, segundo o escritor Bret Easton Ellis.

“Esta não é a minha estreia no cânone”, diz Lin, 30. Ele reclama que as avaliações sobre “Taipei” revelam mais as crenças dos resenhistas do que o conteúdo do romance. “Meu livro com frequência é totalmente ignorado”, afirma. “Quem o comenta está expondo a sua visão sobre a minha personalidade ou abstrações como ‘jovens’ e ‘indivíduos depressivos’”.

Lin rejeita ser entronizado como representante geracional apenas porque é novo e tem um grupo ardente de seguidores. Em entrevista à Folha, sugere que gostaria de ser associado não a uma geração, mas a uma tradição literária com raízes nas obras de Ernest Hemingway, Knut Hamsun e Robert Musil.

Lin cita os escritores Ann Beattie, Frederick Barthelme e Joy Williams como influências principais. Sente-se à vontade entre os ficcionistas do Kmart realism, termo cunhado nos anos 1980 para definir uma ficção minimalista focada na desintegração da esfera pública em favor da dominação da vida privada pelo consumismo.

“Imagino por que um editor, vendo que as críticas ao meu trabalho começam com dois parágrafos sobre a minha vida, não pergunta ao resenhista: ‘Você pode se ater ao livro’?”. Lin, porém, entende a atitude. “Se o editor espera aumentar a audiência da sua publicação, a resenha precisa abordar a privacidade do escritor.”

Tao Lin, de 30 anos, fotografado por Noah Kalina

Tao Li, de 30 anos, fotografado por Noah Kalina

Lin fala abertamente sobre as drogas que consome. Ele foi detido em 2008 por furtar um fone de ouvido de uma loja da New York University, onde estudou jornalismo. Parte da sua renda vinha do roubo de produtos como pilhas, depois vendidos no eBay.

Taipei

Ao escrever “Taipei”, ele tomou até 120 miligramas de Adderall, um estimulante, para manter-se acordado por 36 horas. É o mesmo, entre outros remédios, usado por Paul, o protagonista, definido pela crítica como alienado de tudo, menos das drogas e da tecnologia.

O personagem sai do Brooklyn, passa por Las Vegas e Canadá antes de chegar a Taiwan, a terra natal dos pais de Lin. Segundo o escritor, o amadurecimento de Paul foi confundido com alienação. “Paul se acostumou com o próprio desespero. Ele tenta viver com o tempo uma existência mais calma e satisfatória.”

O jornalista que inventava

Leia texto sobre a biografia do jornalista polonês Ryszard Kapuscinski

Check a piece about the biography of Polish journalist Ryszard Kapuscinski

 

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Meio século sem Ernest Hemingway

Ernest Hemingway se matou com um tiro na cabeça há 50 anos. Projeto da Penn State University localizou e reuniu mais de 6 mil cartas do escritor americano. Leia mais a seguir.

Publicado no Sabático do jornal O Estado de S. Paulo em 2 de julho de 2011.

 

A escrita de um homem vulnerável

Compilação de 6 mil cartas de Ernest Hemingway, que cometeu suicídio há 50 anos, desmonta o mito de macho orgulhoso e insensível em torno do qual se fixou a imagem do vencedor do Nobel de 1954

FRANCISCO QUINTEIRO PIRES – NOVA YORK
Movido pelo desejo de simplicidade, Ernest Hemingway (1899- 1961) saiu de Paris para presenciar uma tourada em Pamplona, na Espanha. O ano era 1923. Ele queria ver sangue correndo e assim aprender a ser um escritor mais consciente do seu ofício. “Uma das coisas mais simples e fundamentais é a morte violenta”, declarou o ficcionista americano, consagrado nas décadas seguintes como praticante da prosa enxuta. Imaginava ele ser o duelo fatal entre touro e toureiro o momento ideal para ter uma perspectiva do mundo inteiro em um só lance – a escrita era para ele exercício de condensação. Depois da visita a Plaza de Toros, Hemingway se tornou um amante das touradas. E reforçou a fama de machão, inseparável da lenda do escritor que acumulou sucesso e orgias alcoólicas.

Essa reputação pode mudar em outubro com o lançamento de The Letters of Ernest Hemingway – Volume 1, 1907-1922. Desenvolvido desde 2002 na Pennsylvania State University, o Hemingway Letters Project encontrou, catalogou e compilou mais de 6 mil cartas do escritor que se matou há 50 anos com um tiro na testa disparado por sua arma preferida. Coordenado pela professora Sandra Spanier, o projeto resultará em 18 volumes de correspondências a ser publicados em ordem cronológica nos próximos 15 anos. Cada tomo tem a previsão de conter de 500 a 700 missivas.

“O primeiro desafio foi localizar as cartas. Hemingway não mantinha cópias, por isso trabalhamos como detetives para chegar às correspondências enviadas para familiares, amigos e colegas ao redor do mundo”, diz Sandra em entrevista ao Sabático. A maioria das epístolas, mais de 3 mil, veio da Hemingway Collection da John F. Kennedy Presidential Library, em Boston, e de 75 bibliotecas espalhadas pelo mundo. Cerca de 400 foram obtidas de colecionadores privados. Mais de 100 missivas trocadas com a família foram cedidas em 2008 pelo sobrinho de Hemingway, filho de sua irmã preferida, Madelaine, a Sunny. O restante estava entre os papéis pesquisados por Sandra em Finca Vigía, casa em Cuba onde Hemingway morou de 1939 a 1960.

Em 2001, a professora da Penn State University se tornou a primeira entre os especialistas norte-americanos a acessar os arquivos da casa, que escondiam cadernos de anotações, fragmentos de rascunhos, revisões de livros manuscritos, receitas culinárias, além de um epílogo rejeitado do romance Por Quem Os Sinos Dobram. Hemingway era um literomaníaco. Escrevia em todo lugar, das margens dos livros às paredes da casa.

Esse material foi o que sobrou da meia tonelada de papéis removida de Finca Vigía após o suicídio ocorrido em Ketchum, no Estado de Idaho, em 2 de julho de 1961. A publicação dos volumes tem potencial de explicar melhor o lugar de Hemingway na cultura cubana e sua relação com os cubanos, aos quais doou a medalha do Prêmio Nobel de 1954. Os tomos também são fonte indispensável para a restauração da casa de Finca Vigía, transformada em museu e uma das atrações turísticas mais famosas de Cuba, pois Hemingway anotou em correspondências as reformas pelas quais o imóvel passou.

Segundo Sandra, 85% das 6 mil cartas até agora descobertas pelo projeto nunca foram publicados. Elas escondem um homem de várias facetas, reduzidas ao longo dos anos à imagem unidimensional do correspondente de guerra; do sobrevivente de duas quedas de avião; do boêmio inveterado; do caçador viril; do apreciador da luta do homem contra o semelhante e contra as forças da natureza. “Hemingway era mais complexo, sensível e interessante do que a sua persona pública costuma sugerir. As cartas apresentam um homem real, em contraste com o mito.” O primeiro volume inicia-se com revelações sobre a infância e juventude de Hemingway em Oak Park, região de brancos protestantes perto de Chicago, em Illinois.

“Hemingway deixa transparecer vulnerabilidade e sensibilidade nas relações amorosas, além de afeição e cuidado genuínos pelos pais e irmãos”, diz Sandra. “Agora temos um entendimento mais rico e completo das relações dele com os pais, os cinco irmãos, as quatro esposas e os três filhos. Ele nutriu o desejo de ser um bom filho e um bom irmão.” As cartas escritas entre 1907 e 1922 contradizem a imagem de Hemingway como alguém afastado da família, apesar do desentendimento posterior com os progenitores que rejeitaram os seus romances, por considerá-los vulgares. Hemingway escreveu sobre o primeiro divórcio e o affair com Pauline Pfeiffer, que seria a sua segunda esposa, mesmo sabendo que essas revelações desagradariam aos pais conservadores. O escritor não se escondeu nas correspondências. Preferiu a honestidade cortante, por vezes selvagem. Chegou a rogar por fofocas familiares, ao se corresponder com a irmã Madelaine, que em 1975 publicou o livro Ernie: Hemingway’s Sister Sunny Remembers. “Deixe escorregar até mim a sujeira em toda a sua totalidade”, pediu como resposta.

Esse desejo genuíno de saber é um dos valores literários mais caros a Hemingway. Um escritor deve viver antes de escrever: o corpo testemunha primeiro o que é elaborado posteriormente pela imaginação. Para ele, a ficção será verdadeira na proporção do conhecimento ou da consciência do ficcionista sobre a vida. Não por acaso, seus livros mais importantes, O Sol Também se Levanta (1926), Adeus às Armas (1929), Por Quem Os Sinos Dobram (1940) e O Velho e o Mar (1952), todos publicados no País pela Bertrand Brasil, nascem de experiências pessoais. Outra fonte fundamental para o desenvolvimento do talento ficcional foram as leituras incessantes, segundo Sandra. “As cartas mostram desde cedo a seriedade de Hemingway com a vontade de ser escritor – existe uma devoção a esse ofício”, ela diz. “Descobrimos como ele era erudito, apesar de não ter ingressado na universidade. Ele era um autodidata insaciável.”

Além da devoção aos familiares, o volume 1 registra os primeiros passos como jornalista do Kansas City Star, entre 1917 e 1918. Apresenta os traumas e aprendizados do voluntariado como motorista de ambulância na Itália durante a 1.ª Guerra Mundial, além da paixão por uma enfermeira em um hospital de Milão, onde se recuperava de ferimentos nas pernas causados por uma explosão. Dessa experiência resultou o romance Adeus às Armas. Em seguida veio o retorno aos Estados Unidos.

Dois anos depois, casou-se com Hadley Richardson, primeira esposa, mudando-se para a França. Em 1922, ele passou a integrar a comunidade literária expatriada de Paris, travando contato com Gertrude Stein, Ezra Pound, F. Scott Fitzgerald, Ford Madox Ford, John dos Passos, além de Sylvia Beach, dona da livraria Shakespeare and Company. A passagem pela cidade luz está registrada em Paris É Uma Festa (Bertrand Brasil), livro de memórias publicado postumamente, em 1964.

Previsto para ser lançado em 2012, o volume 2 reunirá correspondências escritas entre 1923 e 1925, quando o escritor se estabeleceu na cena literária parisiense e começou a publicar os seus romances. Assim como o primeiro, o segundo tomo terá anotações sobre cada carta, explicando as referências a lugares, pessoas e eventos relacionados à vida do Papa, apelido pelo qual gostava de ser chamado.

Sandra cita como preferida a epístola escrita em 14 de fevereiro de 1922 e endereçada à mãe, Grace Hall Hemingway, na qual o ficcionista relata o fascínio pela vida parisiense. “Ele era um jovem do meio-oeste americano perturbado com as paisagens e experiências oferecidas pela capital da França”, diz Sandra. Nessa carta, escreveu: “Paris é tão bonita que satisfaz algo em você que os EUA deixam sempre com fome.” Afirmou ser Gertrude Stein “entusiasta da sua poesia”. Contou ter tomado chá com Ezra Pound, que lhe “pediu um artigo sobre a literatura contemporânea nos EUA”. Segundo Sandra, as cartas mostram “Hemingway se tornando Hemingway” e desvendam segredos bem guardados de “um prosador revolucionário que narrou a história do século 20”.

Romance revisita o amor constante do ficcionista por Paris
Ernest Hemingway se transformou drasticamente depois de morar na Paris dos 1920. Esse período, que ele registrou em Paris É Uma Festa (1964), figura como mote de um livro recém-publicado nos Estados Unidos, com boa performance nas livrarias. Trata-se de Paris Wife (Ballantine Books, 336 págs., US$ 25), de Paula McLain. Esta semana, a obra aparecia em 14º lugar entre os mais vendidos de ficção segundo o jornal The New York Times. O romance tem como narradora Hadley Richardson, a primeira esposa de Hemingway. Ela era uma mulher pacata, de 28 anos, que morava em Chicago antes de conhecer o aspirante a escritor, sete anos mais jovem. A personagem conta as dificuldades e os prazeres do casal em Paris. A esperança de uma vida familiar tradicional se mostrou impossível. O autor de O Velho e o Mar casou com quatro mulheres diferentes, mas teve apenas um amor constante – Paris. / F.Q.P.