Category Archives: opinião

Did Hollywood bow to Nazis?

Check a piece about the relationship between Hollywood studios and Nazi officials

 

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O jornalista que inventava

Leia texto sobre a biografia do jornalista polonês Ryszard Kapuscinski

Check a piece about the biography of Polish journalist Ryszard Kapuscinski

 

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O romantismo de The Newsroom

Leia texto sobre The Newsroom, nova série da HBO, publicado pelo jornal Folha de S. Paulo

Check a piece about The Newsroom, new HBO serie, published by Folha de S. Paulo newspaper

 

 

26/06/2012 – 07h17
‘The Newsroom’ quer restaurar era de ouro do telejornalismo

FRANCISCO QUINTEIRO PIRES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE NOVA YORK

Criador de “The Newsroom”, nova série da HBO, Aaron Sorkin (ganhador do Oscar por “A Rede Social”) contraria a crença de Janet Malcolm (autora de “O Jornalista e o Assassino”). Para ele, jornalismo é uma profissão moralmente defensável, “uma missão quixotesca”.

No primeiro episódio, exibido anteontem nos EUA, o âncora Will McAvoy (Jeff Daniels) enfrenta uma crise de consciência após lhe perguntarem se os Estados Unidos são o melhor país do mundo.

Pessimista, ele diz que “conservadores idiotas” e “liberais perdedores” estão destruindo a nação.

Depois do desabafo, McAvoy volta à redação do canal ACN para descobrir que a nova produtora-executiva (e ex-namorada) foi contratada à sua revelia.

Relutantes, eles fazem um noticiário sobre o vazamento de petróleo no Golfo do México, em 2010. Sorkin vai usar notícias reais e recentes em “The Newsroom”.

Mas ele está de olho no passado. Imagens de Edward R. Murrow e Walter Cronkite, jornalistas americanos lendários, aparecem na abertura.

Tal como seus personagens, Sorkin deseja restaurar a era dourada do jornalismo televisivo. No Brasil, a série deve ser exibida pela HBO em agosto.

Os anos de Lyndon Johnson

Leia texto sobre The Years of Lyndon Johnson, projeto biográfico do jornalista Robert A. Caro

Check a piece about The Years of Lyndon Johnson, a biographical project of journalist Robert A. Caro

 

 

 

Iphigenia in Forest Hills, de Janet Malcolm

Leia resenha sobre Iphigenia in Forest Hills, Anatomy of a Murder Trial, livro da jornalista Janet Malcolm. Publicada na revista Carta Capital

Check a review about Iphigenia in Forest Hills, Anatomy of a Murder Trial, by Janet Malcolm. Published by Carta Capital magazine

 

O que se perde para sempre

Leia texto sobre Train Dreams, de Denis Johnson, novela que será publicada no Brasil até o fim do ano.

Denis Johnson, fotografado por Cindy Johnson

Personagem de Train Dreams, novela de Denis Johnson, Robert Grainier teve uma esposa e uma filha. Dono de um acre de terra, dois cavalos e uma carroça, ele alimentou a pequena família ao trabalhar em construção de ferrovias no Oeste norte-americano. Entre 1886, quando nasceu, e 1968, o ano da sua morte, não bebeu, não comprou uma arma de fogo, não falou ao telefone. Na última década de vida, assistiu à televisão quando pôde. Morreu octogenário sem saber a identidade dos pais e sem deixar herdeiros.

A filha e a esposa desaparecerem num incêndio na cidade onde moravam, no estado de Idaho. A tragédia o perturbou anos a fio, mas a angústia não se manifestou com clareza. Aguentou calado, sem construir explicações para a fatalidade.

Grainier ergueu uma nova casa no mesmo espaço do lar incendiado. A mulher amada surgiu em sonhos. O sumiço da sua família foi tão notado pelos outros quanto o do próprio Grainier, ocorrido décadas depois. Morto no fim do outono, o corpo do protagonista foi encontrado por dois caminhantes apenas no começo da primavera. O enterro se deu com uma pá, usada para cavar um buraco na terra. Com Grainier sucumbiu algo da mitologia dos Estados Unidos.

Nascido na Alemanha Ocidental em 1949, criado em Tóquio, Manila e Washington, o escritor Denis Johnson relata com secura a história nada extraordinária de Robert Grainier. Comparado ao estilo dos livros de Ernest Hemingway, Train Dreams (Farrar, Straus and Giroux, 128 págs., US$ 18) é uma novela sobre um trabalhador braçal afetado pela Grande Depressão. Grainier é um homem sem estudos, cujo corpo se arruína com a labuta pesada e cotidiana.

O personagem tem perturbações metafísicas nada óbvias. Johnson faz pelo Oeste dos Estados Unidos o que Guimarães Rosa fez pelo sertão brasileiro. Ambos atribuem alma a homens rústicos, quase animalizados, de uma região desolada, mas ainda assim importante para a formação de uma identidade nacional.

Contemplado com o National Book Award em 2007, Johnson se tornou conhecido por Jesus’ Son (1992), coletânea de contos transposta para o cinema por Alison Maclean. Publicados no Brasil pela Companhia das Letras, Árvore de Fumaça e Ninguém se Mexe também fazem uma crônica da vida norte-americana. O primeiro aborda as insanidades da Guerra do Vietnã. Inspirado por Dashiell Hammett e Raymond Chandler, Ninguém se Mexe narra os excessos de um jogador compulsivo e tabagista na Costa Oeste dos EUA, onde os indivíduos se percebem apartados do resto do mundo.

Train Dreams se diferencia daqueles dois romances de Johnson tanto pela objetividade da narração como pela discrição do protagonista. É uma novela, texto mais longo do que um conto e mais curto do que um romance. Inventado na Idade Média, o gênero é usado pelo autor norte-americano para apresentar uma história cujas pontas não se entrelaçam numa conclusão definitiva. Train Dreams tem um final tão aberto quanto o destino dos Estados Unidos.

O que muda no Harlem

 

 

Se paradoxos não existissem na vida cotidiana, bem difícil seria acreditar na sua falta de lógica. À medida que o tempo passa, parece aumentar o sentido da máxima criada por Giuseppe Tomasi di Lampedusa no livro Il Gattopardo. As coisas mudam para permanecer as mesmas. Esse retrato de relações engessadas apareceu há 20 anos em Jungle Fever (1991), filme de Spike Lee.

O longa-metragem relata a relação complicada, condenada à falência, de Flipper Purify (Wesley Snipes) e Angie Tucci (Annabella Sciorra). O primeiro é um afro-americano, morador do Harlem, norte de Manhattan ou uptown. A segunda é uma ítalo-americana, morada de Bensonhurst, sul do Brooklyn. Quando começam a se relacionar – ele é casado -, transformam-se em párias tanto para os familiares quanto para a sociedade.

O retrato de Spike Lee é amargo, contundente. Na sua observação atenta, ele cria ambientes familiares em que se exibem os preconceitos e equívocos dos personagens, além das relações miúdas, realizadas no espaço das ruas.

O irmão de Flipper é Gator Purify (Samuel L. Jackson), um viciado em crack. O Harlem aparece no filme de Lee como um lugar entregue à própria sorte, onde pedestres chutam cachimbos usados pelos crackheads e são abordados por prostitutas.

Samuel L. Jackson, hoje o ator mais rentável da história do cinema, saíra pouco antes de um programa de reabilitação para fazer o seu papel, premiado, em Jungle Fever. A aparência do personagem era, na verdade, a aparência do ator, debilitado pelo consumo de álcool e drogas. A namorada de Gator, também uma viciada, é feita pela Halle Berry, que teria ficado sem tomar banho por duas semanas para ser Vivian, uma crackhead desbocada.

A fama do Harlem não era nada boa. Mas alguma coisa está acontecendo. Reportagem publicada pelo The New York Times, em 2 de dezembro deste ano, mostra a luta de moradores para impedir a abertura de uma liquor store na Lenox Ave com a 119th Street. (Leia a íntegra em As Tastes Change in Harlem, Old-Look Liquor Store Stirs a Fight).

Essa é uma região conhecida como Mount Morris Park Historic District, onde há townhouses e brownstones históricos, descobertos nos últimos meses pelos guias de turismo. Entre os seus moradores mais antigos está Albert Maysles, documentarista e dono de um cinema na Lenox, entre a 124 e a 125.

Há 20 anos, esses imóveis estavam abandonados. Hoje podem valer até US$ 3 milhões. Um dos restaurantes, Settepani (Lenox e 120), abrigou recentemente a festa de aniversário do ex-presidente Bill Clinton, cujo escritório é na 125th Street.

A controvérsia é que, segundo um dos moradores, para ser uma Park Slope, região descolada do Brooklyn, para onde afluem os hipsters, não pode haver uma loja que vende bebidas e tem anúncios tão cafonas. O Harlem presencia a gentrificação ou valorização imobiliária dos seus apartamentos. Na região, pela qual o 28th Precinct é responsável, a criminalidade caiu 70% nos últimos 20 anos. Em 1990 houve 41 assassinatos. No ano passado foram 6. Alguma coisa parece ter mudado no Harlem, apesar da maldição do Il Gattopardo. Ou a sujeira está sendo só afastada para longe dos olhos para que as mudanças significativas, mais uma vez, permaneçam engessadas?