The Tiger’s Wife, de Téa Obreht

A mitologia fantástica de Téa Obreht

A mitologia e a superstição têm grande importância na vida de Téa Obreht. Em sua opinião, esses mitos representam um mecanismo maravilhoso para enfrentar a realidade. As pessoas, acredita, criam e embelezam histórias para lidar com momentos de grande desassossego. Cada trajetória individual é um mito, e Téa escreveu um livro para as pessoas refletirem sobre essa ideia.

The Tiger’s Wife foi incensado pela imprensa americana como a estreia literária mais promissora do ano. Téa, de 25 anos, ganhou elogios por ter criado com muita imaginação a história de Natalia. A personagem é uma médica que investiga segredos do passado durante uma missão no orfanato de um país dos Bálcãs acossado por anos de conflitos. A autora admite existirem vários elementos autobiográficos no primeiro romance.
Ela nasceu em Belgrado, na ex-Iugoslávia, e passou a infância em Chipre e no Egito.

Levada pelo avô, Téa conheceu as pirâmides e as múmias egípcias, experiências fundamentais para forjar a sua visão mágica de mundo. Cresceu a ouvir lendas sobre vampiros. Desde a mudança para os Estados Unidos em 1997, ela deleita-se com histórias de fantasmas. Quando visita uma cidade americana, a sua primeira atitude é se informar sobre as assombrações do lugar. The Tiger’s Wife lembra algo dos romances do colombiano Gabriel García Márquez. O seu realismo fantástico permite que um dos personagens seja imortal e uma mulher esteja casada com um tigre.

Téa teve três inspirações: a morte do seu avô em 2007, um documentário da National Geographic sobre tigres-siberianos e as viagens constantes para Belgrado. Em The Tiger’s Wife, Natalia relembra o contato com o avô que foi até uma aldeia sem avisar para ali morrer sozinho. Ninguém consegue explicar a decisão desse homem obcecado por The Jungle Book, de Rudyard Kipling.

O fato de Natalia e o seu avô serem médicos representa uma alegoria: a medicina como expressão da incapacidade de entender. Segundo Téa, com frequência os doutores se envolvem em situações nas quais a ciência apresenta soluções insuficientes. E a fé entra nesse vácuo. A presence da guerra no enredo não tem um propósito histórico.

É uma justificativa ideal para a escritora falar de outra coisa. “Durante um conflito, o nosso senso de humanidade é radicalmente abalado”, acredita. “A realidade começa a parecer fantástica, e aquilo que era mito se torna mais plausível.” É essa falta de respostas que tanto persegue os seres humanos o que fascina Téa Obreht. – Francisco Quinteiro Pires, de Nova York

Publicado na edição 654 da revista Carta Capital (13 de julho de 2011)

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