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Ocean’s Kingdom, de Paul McCartney, no New York City Ballet

Leia a seguir texto sobre Ocean’s Kingdom, balé criado por Paul McCartney para o New York City Ballet. Foi publicado pelo caderno Ilustrada, da Folha de S. Paulo, em 29 de setembro de 2011.

 

Os bailarinos Sara Mearns e Robert Fairchild em Ocean's Kingdom. Foto de Paul Kolnik

 

Público recebe balé de Paul McCartney sem entusiasmo em Nova York

FRANCISCO QUINTEIRO PIRES

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE NOVA YORK

Quando “Ocean’s Kingdom”, balé musicado e escrito por Paul McCartney, terminou, o público aplaudiu sem entusiasmo. Poucos ficaram de pé na apresentação ocorrida no último sábado (24). A expectativa gerada pela mídia –afinal, é a estreia de McCartney no mundo da dança– não se concretizou no palco do David H. Koch Theater, casa do New York City Ballet.

O espetáculo de 50 minutos é dividido em quatro movimentos. Narra o embate maniqueísta entre o reino do oceano e o da terra. O fio condutor é o drama da princesa Honorata, filha do rei Oceano, líder do mundo marinho.

Certo dia, atrapalhando a vida idílica do reino submerso, rei Terra, seu irmão mais novo, príncipe Pedra, e os seus lacaios convidam Honorata e Oceano para um festejo. Honorata e Pedra se apaixonam. Terra também a deseja. Com a ajuda de Scala, chefe das empregadas de Honorata, ele sequestra e aprisiona a princesa do oceano.

A libertação vem com o arrependimento de Scala. Ela lança uma tempestade contra o rei Terra e os seus subordinados. Ao destruí-los, ela também se destrói. Pedra e Honorata ficam juntos.

“Ocean’s Kingdom” aborda um tema clássico: a complicada história de amor entre seres de mundos diferentes. Mas, como Paul McCartney disse em entrevistas, o balé também é um recado contra a destruição da natureza marinha.

Na atual temporada de outono, o New York City Ballet (NYCB) faz mais uma apresentação de Ocean’s Kingdom nesta quinta (29). A produção de US$ 800 mil volta aos palcos em janeiro (dias 19, 21, 24, 27 e 29).

Segundo a direção do NYCB, ao convidar McCartney para criar um balé, a companhia pretende renovar a sua audiência. O ex-beatle aceitou o convite porque era um desafio inédito. Ele não cobrou pelo trabalho.

A coreografia de Peter Martins, à frente do NYCB desde 1983, quando morreu o seu fundador, George Balanchine, conta sem inovação a história inventada por McCartney.

Martins é um coreógrafo conhecido por suas criações abstratas, que pouco combinariam com o neorromantismo dos quatro movimentos do novo balé. Autor de discos anteriores de música erudita, McCartney compôs belas melodias, como de costume, mas o resultado final é ingênuo, programático. “Ocean’s Kingdom” foi concebido como se o século 20 não tivesse existido para a música.

As roupas criadas por Stella McCartney, filha do ex-Beatle, adotaram as cores azul e verde para os personagens do oceano e os tons escuro e pastel para o seres da terra. O cenário é bem simples. A luz exerce um papel fundamental: quando varia do azul para o vermelho, ela marca a transição do universo aquático para o terrestre.

Os quatro movimentos, cujo lançamento em CD é no próximo dia 4, inspiraram uma coreografia repetitiva. Em cada movimento há pelo menos um pas de deux para registrar as oscilações emocionais da princesa Honorata (Sara Mearns) e do príncipe Pedra (Robert Fairchild). Um dos preceitos de Balanchine – “não existem novos passos, existem novas combinações” – foi ignorado por Martins.

A multidão ordeira de Paul McCartney

Apesar da ansiedade, a multidão de nova-iorquinos invadiu o Sul do Bronx de modo ordeiro na noite da última sexta-feira. Eles se encaminharam para testemunhar um feito inédito: a apresentação de Paul McCartney no Yankee Stadium. Paul havia se apresentado com os Beatles em outro estádio, The Shea Stadium, casa do time rival – The Mets. O ano era 1965. Até hoje há quem questione a escolha do lugar, que à epoca recebeu 55 mil pessoas. Se Beatles é sinônimo de música, New York Yankees é de beisebol.

Não à toa, a primeira piada da noite foi com Derek Jeter, jogador do Yankees, que completou a marca de 3 mil rebatidas. Ele é o primeiro rebator do time de Nova York e e o vigésimo oitavo da história a atingir a marca. Paul perguntou para a multidão: “Quem é esse tal de Jeter? Ele tem mais hits do que eu?” Hit pode significar tanto rebatida quanto música de sucesso estrondoso.

O público de idades variadas ficou satisfeito com a boa energia do showman maratonista Paul McCartney, que mais parece um garoto inglês de 69 anos. Essa foi a primeira apresentação de uma turnê por estádios dos Estados Unidos e Canadá. A cidade queria muito vê-lo – ingressos para a primeira fila estavam à venda, no mercado negro, por US$ 10 mil dólares. Os preços originais das entradas, que se esgotaram em 10 minutos, iam de US$ 30 a US$ 279,50. O show começou às 20h30 de Nova York. Durou mais de duas horas e meia. A intensidade foi alta e manteve-se assim até o fim das 35 músicas tocadas por Paul.

O repertório, parecido com aquele tocado pelo compositor no Mets’ Citi Field (Nova York), em 2009, contempla toda a extensão da sua carreira – Beatles, The Wings, discos solo. As composições que fizeram mais sucesso foram as da banda de Liverpool. Paul homenageou John Lennon com Here Today e George Harrison com Something, na primeira parte da qual tocou ukelele.

Além do instrumento havaiano, ele tocou guitarra, baixo e piano, do qual levantou ao fim de cada música para saudar o público. Tudo funcionou bem no Yankee Stadium, apesar das filas para ir ao banheiro, chegar à cerveja e comprar cachorro quente.

Aclamado pelo público, Paul voltou três vezes ao palco, interpretando Yesterday, Lady Madonna, Carry That Weight e The End. Na saída do estádio, sem nenhuma confusão o público escoou de volta para casa, uns de carro, outros de metrô. A prefeitura colocou mais trens em funcionamento para absorver a massa de fãs. Quem foi para casa conseguiu até chegar cedo. A ansiedade foi aplacada.