As transformações de Jane Fonda

Texto publicado no Caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo de 27 de novembro de 2011

Livro narra malhação política de Jane Fonda

Biografia lançada nos EUA revisita relação da atriz com governo, prisões, companheiros e vídeos de ginástica

Autora examina histórico policial e emocional da artista, moldada como símbolo sexual nos anos 60

FRANCISCO QUINTEIRO PIRES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE NOVA YORK

O governo americano acusou: Jane Fonda planejou a morte do presidente Richard Nixon. O plano, porém, era uma mentira plantada pela Casa Branca. A atriz e ativista processou Nixon por conspirar contra a sua reputação.

Vista como ameaça nacional desde 1972, quando visitou o Vietnã -então em guerra com os EUA- e foi fotografada ao lado dos inimigos, teve o telefone grampeado e um informante do FBI entre os seus guarda-costas.

Mais de 22 mil páginas do arquivo da polícia sobre a atriz contêm essas informações, trazidas por Patricia Bosworth em “Jane Fonda, The Private Life of a Public Woman” (a vida privada de uma mulher pública, em inglês).

Em 1970, após filmar “Klute”, Jane foi presa, acusada de tráfico de drogas – a polícia suspeitou de suas cápsulas de vitamina. Passaram-se meses até que testes provassem que as cápsulas eram inofensivas, e Jane, inocente.

Dois anos depois, ela ganharia o Oscar de melhor atriz por aquele mesmo filme, em que vivia uma prostituta.

O livro disseca a personalidade de uma mulher que é fenômeno midiático há mais de 40 anos. “Ela tem uma capacidade extraordinária de se reinventar”, diz a autora.

Patricia conhece Jane desde os anos 1960. Ela acompanhou a metamorfose de uma jovem insegura e formal em uma mulher rica e livre.

Jane, 73, tem uma personalidade volúvel e calculista, segundo a autora. “Ao mesmo tempo, anseia por aceitação.” A carência, para Patricia, é uma resposta à frieza do pai, o ator Henry Fonda, e ao suicídio da mãe, France. “Jane é perfeccionista como o pai e obcecada por sexo, aparência e dinheiro como a mãe.”

A atriz foi casada com o diretor Roger Vadim, de “Barbarella” (1968), que a lançou como símbolo sexual, com o político Tom Hayden e o empresário de mídia Ted Turner, fundador da rede CNN.

Ao lado de Hayden, negligenciou a carreira de atriz. Ainda assim, em 1979 Jane ganhou seu segundo Oscar, por “Amargo Regresso”.

“Ela usou o dinheiro ganho com vídeos de ginástica, febre nos anos 80, para pagar dívidas do marido”, diz a autora. O primeiro vídeo, “Jane Fonda’s Workout” (1982), vendeu 17 milhões de cópias.

O cuidado com o corpo, segundo Patricia, sempre foi doentio. A atriz teve bulimia por mais de duas décadas. “A forma física é essencial para a criação do seu mito.”

Abandonada por Hayden, iniciou um relacionamento com o mulherengo Ted Turner e “se sentiu anulada.”
O casamento se dissolveu em 2000, mesmo ano em que o relato de Patricia termina.

“A minha vida representa o espírito do meu tempo”, resume a atriz no livro.

JANE FONDA, THE PRIVATE LIFE OF A PUBLIC WOMAN
AUTORA Patricia Bosworth
EDITORA HMH
QUANTO US$ 30, cerca de R$ 56, na amazon.com (600 págs.)

 

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